Nós podemos dizer “Não”.

Frequentemente ouço pacientes se queixarem da dificuldade em dizer “não”. Peço que me descrevam tal dificuldade a fim de que eu possa ter uma melhor compreensão do que estão falando.  Logo percebo que não se trata apenas de uma dificuldade em dizer “não”, mas da presença de falsas crenças limitantes de que perderão o amor das pessoas ou serão egoístas ou rejeitados ou criticados se negarem um pedido que lhes fora feito.

Costumo pontuar a estes pacientes que não me parecem ter dificuldade em dizer “não”, pois o fazem com frequência. A reação é de surpresa. Reforço que sabem dizer “não” e fazem isso muito bem. Quando dizem “sim” para o outro, sendo que desejavam dizer o oposto, estão dizendo “não” para si mesmos.

Não há qualquer problema em ser uma pessoa prestativa, em ter disponibilidade e gostar de ajudar os outros, desde que estabeleçamos limites. Ninguém estará bem e feliz se sentindo sobrecarregado ou explorado.

Os outros tem o direito de nos pedirem o que quiserem, quando quiserem e onde quiserem, assim como cada um de nós tem o direito de avaliar se quer e se tem disponibilidade de aceitar o pedido feito ou não.

Podemos dizer “não” aos outros. Com o nosso “não” eles tomarão consciência da dimensão de seu pedido, terão que aprender a lidar com a frustração de não serem atendidos, terão que sair da zona de conforto e movimentar-se a fim de atender sua necessidade, aprenderão a respeitar os limites das pessoas a quem costumam pedir ajuda e passarão a valorizá-las. Quando sempre dizemos “sim” impedimos os outros de crescerem.

Ao dizer um “não” podemos ser bem pontuais, sem rodeios ou justificativas. Do contrário, sinalizaremos insegurança e os outros insistirão no pedido.

Se formos pegos de surpresa com um pedido, podemos solicitar um tempo ou mais informações para avaliarmos nossa disponibilidade de ajuda. Se julgarmos que a resposta é “não”, que assim seja: “Não”!

Ao recebermos um pedido e ficarmos em dúvida quanto a aceitá-lo, fiquemos atentos. Possivelmente é porque queremos dizer “não”.

Dizer “não”, quando julgar necessário, é fundamental para nosso bem-estar físico e emocional.

Vamos exercitá-lo?

 

Por

Elaine Lima – CRP/01-13666

Psicóloga e Palestrante

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