Casamento… Caminho de Felicidade?

Conforme vou caminhando com os casais que procuram a terapia de casal, para minimizar os conflitos conjugais, me deparo com pessoas desacreditadas na vida conjugal. Então proponho neste breve escrito, levantar algumas questões importantes para a vida a dois.

É fato que muitas mulheres ainda na juventude, quando ainda nem se terminou de formar a identidade social, o sistema já as insere numa instituição chamada casamento.

É bem verdade que essa situação vem gradativamente mudando. No entanto, estas que foram inseridas nesta instituição não receberam nenhum tipo de manual ou esclarecimentos do que poderiam encontrar no matrimônio, e muitas vezes o diálogo não é fato em sua família de origem. Poderia dizer que, talvez não tenha nenhuma outra instituição social, que esteja  tão submersa a tantas expectativas  quanto o casamento.

Expectativas estas que estão impregnadas de mitos e idealizações, tais como: “Conto com você para ser feliz e dar significado a minha vida”. A maioria dos casamentos que chegam ao fim é rompido pelo peso das expectativas depositadas nesta instituição. O que acontece, é que a vida cotidiana com suas múltiplas dificuldades, vai nos desvelando as mazelas da vida conjugal e que esse esposo/esposa não poderá desempenhar o papel designado. O dia a dia nos  apresenta esse outro,  com todas as falhas da condição humana, desabando  os mitos dos contos de fada, nos revelando que não  existem príncipes e nem princesas.

De fato é verdade que, muitos casamentos já terminaram, embora o casal permaneça junto. Muitos casais já se esgotaram há muito tempo, em que, não conseguem manter o mínimo de tempo juntos sem se agredirem verbalmente, faltando o básico da relação, o respeito. E que há muito tempo deixaram de ser um casal e se perderam como indivíduos.

Algumas pessoas têm tanto medo da solidão que se agarra a terríveis relacionamentos, em vez de arriscar a sofrer consequências de qualquer mudança em suas vidas. O casal e a família vão tornando-se recintos de confinamento, impondo-se como uma entidade atroz que exige nada menos que o sacrifício de identidades. Com isso, o casamento recebe uma sobrecarga de ressentimentos e raiva resultante das necessidades insatisfeitas. E como é fácil culpar o outro pela nossa infelicidade.

Sendo assim, então podemos dizer que o casamento é uma fonte de infelicidade?

De forma alguma, visto que o grande desafio do casamento é aquele que duas pessoas unidas pelo amor e por um projeto de vida semelhante, possam também se construir como indivíduos que se admiram e se apóiam nesta caminhada. No entanto, para que essa experiência possa ser partilhada é necessário um despojamento de expectativas centradas em torno da idéia que, o outro deve existir para me fazer feliz. Cabendo a mim a responsabilidade pela minha felicidade.

Escrito por Psicóloga Kênia Ramos     CRP 01/13752

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