02 de novembro – Dia de Finados

Dia de finados

Se eu pudesse mudaria o nome desse dia para “Dia da Saudade”!  Sim, pois saudade é coisa boa.  Sentimos saudades do que foi bom e das pessoas que amamos ou queremos bem e que já partiram dessa vida.

Quando me lembro dos familiares e amigos que se foram…  bate aquela saudade.  Às vezes, ela é tanta que transborda em forma de lágrimas. O coração fica apertadinho e o desejo de tê-los por perto aflora. Isso já aconteceu com você?

Ah! Se eu tivesse o poder, teria impedido que partissem!

Ah!  Se eu pudesse trazê-los de volta…

Talvez para experimentar mais um abraço, desta vez mais demorado e apertado.

Talvez para dizer quanto amor tenho por eles, pela primeira vez ou mais uma vez!

Talvez pra dizer o que gostaria, mas não deu tempo… foi tudo tão rápido e inesperado.

Porém, logo vem a realidade e me desperta de meus devaneios dizendo: “Já foi. Passou.” Aí percebo que o que me resta são as doces lembranças dos momentos vividos que sempre me fazem sentir o desejo de “eu queria mais”!

Penso que o “Dia da Saudade” seria um bom momento para exercício do perdão. Deixar ir quem já se foi e deixar que toda a mágoa e ressentimento em relação a essa pessoa também se vá. Perdoar!  Um momento para nos liberarmos de toda culpa e cobrança interna que ainda possa existir e nos torturar. Nos perdoarmos!

Você sabia que tanto a mágoa quanto o ressentimento, a culpa e a cobrança interna nos mantém vinculados ao passado, passado esse que já se foi e não tem como ser modificado?!

O “Dia da Saudade” seria um bom momento para exercício  da gratidão. Agradecer traz leveza à alma e paz ao coração. É o reconhecimento do que foi bom e do que não foi, do que foi vivido e do que não foi. É compreender que em todas as situações há (pelo menos) dois lados e que tudo contribui para com nosso aprendizado e crescimento pessoal.

Este dia poderia também ser um momento de reflexão. Uma preciosa oportunidade para pensarmos sobre como estamos vivendo nossa vida.  Protagonistas ou plateia?  No piloto automático ou atuantes? De aparências ou com transparência? Com intensidade ou mornidão? Nos colocando como prioridade ou nos deixando sempre para depois? Valorizando o efêmero ou o essencial?

A cada dia vivido menos um dia para se viver.   O tempo que nos resta talvez seja nosso mais precioso bem. Como o temos desfrutado? Penso que esta reflexão nos despertaria de uma dormência existencial e nos mostraria quão importante é nossa vida e a forma como a vivemos. Quão importante é estarmos vivos!

Que possamos viver nossos dias com mais alma e presença, desfrutando intensa e profundamente de cada precioso momento que a vida nos concede e ao lado das pessoas que nos são tão caras. Precioso momento que chamamos de presente, não à toa. Se bem pensarmos viver o presente é um presente, uma dádiva!

Assim, quando o próximo “Dia da Saudade” chegar, talvez tenhamos menos arrependimento, menos culpa, menos cobrança e muitas, muitas boas lembranças para recordar!

 

Abraços afetuosos,

Elaine Lima – psicóloga – CRP/01-13665

 

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