Famílias disfuncionais impactos reais

A família é uma organização de vidas interconectadas por regras definidas, mas não verbalizadas.

É o nosso primeiro contato com o mundo social, e se este contexto não nutre nossas necessidades essenciais, podem nos trazer impactos ao longo de nosso ciclo vital.

O último cenário em que alguém pensa que vai ser ferido, traído, decepcionado ou até abandonado é, sem dúvida, no seio de sua família. No entanto, isso ocorre com mais frequência do que imaginamos.

As figuras de referência que têm como obrigação dar-nos o melhor, oferecer amor, confiança, segurança e ânimo às vezes falham voluntária ou involuntariamente. Para uma criança, um adolescente e até para um adulto, experimentar uma traição ou decepção no seio familiar supõe desenvolver uma frustração ou um trauma, o qual nunca estamos preparados para lidar.

A traição ou a decepção gerada na família é mais dolorosa do que a simples traição de um amigo ou companheiro de trabalho, uma vez que no contexto familiar imaginamos estar protegidos.  Na verdade é um atentado contra a nossa identidade e nossas raízes.

Diversos são os impactos decorrente de pais ausentes, negligentes, superprotetores, tóxicos e portadores de linguagem abusiva e agressiva. Tais características paterna ou materna trazem muito mais do que a falta de autoestima ou medos insuperáveis para os filhos. As pessoas que passam grande parte do seu ciclo de vida familiar em um lugar disfuncional, podem enxerga-se como alguém que não merece ser amado.

São pessoas que possuem muita dificuldade para lidar com questões pessoais e manter relações sólidas, visto que os impactos íntimos e privados está em um cérebro que foi ferido muito cedo e consequentemente tiveram suas emoções alteradas.

Tornam-se adultos com uma maior vulnerabilidade e carentes emocionalmente, possibilitando um maior risco de sofrerem determinados transtornos emocionais.

Não é uma tarefa fácil conviver em uma família disfuncional e traumática. Em um dado momento, é necessário tomar a  coragem para cortar o vínculo familiar, para que se estabeleça uma distância saudável e funcional para os envolvidos.

Ninguém pode escolher quem serão seus pais, seus familiares, mas sempre chegará um momento em que teremos a capacidade e a obrigação de escolher como vai ser nossa vida.

Podemos e devemos escolher ser livres e maduros emocionalmente. Não devemos permitir que um passado familiar disfuncional e traumático afete o nosso presente e consequentemente o nosso futuro. Afinal, as adversidades existem para serem superadas.

Psicóloga Kênia Ramos CRP 01/13752

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