Dependência afetiva: um adoecimento gradativo

As relações dependentes provocam uma dor emocional tão grande e consequentemente a um estresse crônico que leva ao adoecimento gradativo.

Existem relações tão tóxicas quanto usar uma droga. Estas acarretam dor e sofrimento, a qual a pessoa envolvida não consegue se perceber e nem se permiti sair, apesar dos danos causados por este tipo de relação. Há uma dependência doentia que se assemelham a dinâmica dos vícios, em que uma pessoa se apega a uma substância, a uma pessoa ou uma conduta para negar a realidade emocional que lhes é intolerável.

Nas relações dependentes são reproduzidas algumas características presentes na dinâmica dos vícios como:

  • Obsessão: a relação e o outro passam a ser o centro da vida de uma forma constante e patológica. As demais áreas como trabalho, família, estudos e amigos ficam em segundo plano. Todo o foco está colocado no outro.
  • Controle: há um controle da relação, da vida e dos movimentos do outro, é uma tarefa esgotante. Controla-se ou acredita fazer isso para que o outro não escape.
  • Tolerância: assim como no alcoolismo ou em outros vícios, há um aumento da dose para chegar ao mesmo efeito. Nestes casos vai aumentando a tolerância a dor emocional.
  • Abstinência: Quando surge a possibilidade de rompimento, aparecem sintomas de abstinência. Angústias, insônia e perdas de apetite. Tudo isso leva a pessoa a fazer qualquer coisa para que a relação não termine.

Para muitas pessoas, a dor pelas perdas que sofreram em suas vidas ou pelas coisas que não puderam realizar é muito difícil de encarar. E quando a realidade se torna intolerável, essas pessoas recorrem a uma variedade de mecanismos.

E uma das formas, sem dúvida perigosa de transitar pela dor quando ela fica insuportável é anestesia-la. E os vícios teriam essa finalidade. Na relação dependente a droga é a própria paixão com todo o seu efeito de alienação e embriaguez.

As relações dependentes estão fundadas na necessidade e não na escolha. Em que, o outro passa ser imprescindível para sua sobrevivência é como beber para esquecer, jogar para sentir-se poderoso, trabalhar para fugir do lar, relacionar afetivamente a qualquer preço para esquecer a solidão.

Assim como em toda dependência, precisa-se de ajuda profissional, visto que o nível de cegueira é tão alto que não deixa a pessoa enxergar o perigo da violência emocional em que se encontra envolvida.

 

 

Escrito por

Kênia Ramos- Psicóloga Clínica

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